O mercado lácteo brasileiro iniciou março com movimento de valorização em diversos produtos, indicando um cenário de recuperação gradual após períodos de maior pressão nos preços.
Entre os destaques está o leite spot, comercializado entre indústrias. Na primeira quinzena do mês, todos os estados monitorados registraram aumento nas cotações. O Paraná apresentou uma das maiores valorizações, com alta superior a R$ 0,40 por litro. Na média nacional, o avanço foi de aproximadamente R$ 0,34 por litro, levando o indicador para cerca de R$ 2,79/litro.
Esse movimento reflete uma oferta mais ajustada no curto prazo e um mercado que começa a reagir após meses de instabilidade.
Leite UHT também registra aumento
No atacado, o leite UHT apresentou novas altas na primeira semana de março. O reajuste ocorre em um cenário de estoques mais enxutos e disponibilidade limitada de produto, o que tem pressionado os preços para cima.
No estado de São Paulo, por exemplo, a cotação média do produto avançou cerca de R$ 0,27 por litro, chegando próximo de R$ 4,15/litro no período analisado.
A demanda relativamente estável, combinada com menor volume disponível, tem contribuído para sustentar esse movimento de valorização.
Muçarela acompanha tendência de alta
O mercado de queijo muçarela também apresentou reajustes positivos. Em várias regiões do país, indústrias relataram menor oferta do produto, fator que tem ajudado a sustentar as cotações.
Em São Paulo, o preço médio do quilo do produto registrou aumento de aproximadamente R$ 1,10, atingindo cerca de R$ 28,40/kg.
Além da oferta mais restrita, parte da indústria também busca recompor margens, pressionadas ao longo de 2025.
Leite em pó volta a subir
No segmento de leite em pó, os preços também mostraram reação nas últimas semanas.
O leite em pó integral e o leite em pó desnatado registraram altas nas negociações recentes, enquanto o produto fracionado permaneceu estável devido aos estoques ainda elevados no mercado.
Esse cenário indica um movimento gradual de recuperação, acompanhado de ajustes entre oferta e demanda.
Custos de produção seguem no radar
Outro fator que influencia o mercado é o custo de produção nas fazendas, especialmente relacionado à alimentação do rebanho.
Os preços do milho, principal insumo da dieta bovina, apresentaram tendência de alta no início do mês. A valorização foi impulsionada pela maior demanda e por problemas climáticos em algumas regiões produtoras, com média próxima de R$ 70 por saca.
Esse aumento nos custos pode impactar diretamente a rentabilidade do produtor e, consequentemente, os preços ao longo da cadeia.
Expectativa para o mercado de leite
Com a combinação de oferta mais ajustada, preços internacionais firmes e custos de produção em atenção, o mercado lácteo brasileiro inicia o mês com sinais positivos.
A tendência no curto prazo é de um ambiente mais equilibrado, embora o comportamento do consumo e dos custos de alimentação continue sendo determinante para os próximos movimentos de preços.

